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O implicante
 


Coisa de gentinha, não?

Um movimento de moradores fez mudar o traçado do metrô, para que não tivesse uma estação no coração de Higienópolis. Vitória dos moradores desse bairro elegante e nobre da cidade desde sua criação. Um movimento cidadão como esse deve ser ressaltado: afinal, vão evitar "eventos indesejáveis" (entenda por evento o que quiser... Troque "eventos" por outras palavras para ver no que dá). Movimento de cidadãos que, sempre que possível, experimenta lugares abertos aos "eventos indesejáveis" em lugares como Nova York, Roma, Paris, indo lá para ver como é ruim ter metrô pela cidade toda. Eles voltam revoltados de lá, praguejando "como pode, uma cidade tão bacana, com metrô para todos os lados?". Indesejável...

Claro que todo mundo tem o direito de se manifestar sobre aquilo que pensa. Porém, aqui, o caso não é de direitos individuais, mas de melhorar nossa cidade (que não é só Higienópolis). Tenho muitos amigos que moram no bairro e tenho certeza de que não compactuam com essa absoluta mensagem de subdesenvolvimento explícito. Algo assim é indesejável, não? Agora, tente trocar o adjetivo da frase "eventos indesejáveis: indecente, incivilizado, inexplicável...

Marca de subdesenvolvimento na veia!

P.S.: moro próximo ao entrocamento de duas linhas (verde e azul) e juro: me sinto muito civilizado e nem de longe sinto nada indesejável. Ao contrário.



Escrito por jorge.tarquini às 15h15
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O que eu, você ou qualquer um temos a ver com isso?

O reconhecimento da união estável tem feito aflorar pela internet demonstrações bizarras daquilo que de pior o ser humano pode produzir: comentários que demonstram um total desprezo pelo direito do outro de existir, pela liberdade de, por existir, poder ser aquilo que se é ou que se escolhe ser (afinal, trata-se de liberdade). Fica minha pergunta a quem pensa e se manifesta dessa maneira agressiva e intolerante: se alguém quer se unir a alguém do mesmo sexo, desde que não seja você, o que você tem a ver com isso? A menos que esteja enciumado e quisesse ser um vértice num triângulo amoroso, o que você tem a ver com o que os outros fazem, são ou escolhem? 

Usando o seu raciocínio torto, tosco, obtuso, intolerante, de implicar com quem não faz nenhuma diferença para sua vida (mas em cuas vidas você pretende interferir), podemos começar a detestar quem tem cabelos curtos, quem sua nas mãos, quem usa roupas claras. Ué, o que eles têm de diferente para ser alvo de sau ódio? Nada – assim como quem quer se unir a outra pessoa do mesmo sexo. Se você não suporta conviver ocm a diferença, reze para não cruzar com alguém como você – mas que ache que você é o diferente...

P.S.: se faz diferença para você um direito que em nada atrapalha o seu, sou todo ouvidos para entender seus argumentos – desde que não sejam como os das cavalgaduras que estão lotando os fóruns de discussão com mensagens absurdas para o século 21.



Escrito por jorge.tarquini às 11h59
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Play it again, Tio Sam

Kennedy foi assassinado por conspiradores da CIA e do FBI? E Marilyn, teria sido "suicidada"? O homem realmente pisou na Lua? Bush realmente sabia com antecedência do 11 de setembro? Existe de verdade um hangar 51, onde estariam os restos mortais de um ET capturado e de sua nave? Bem, digamos que gostam de (criar, alimentar, insuflar, discutir) uma polêmica os nossos amigos estadunidenses (sim, pois americanos somos todos nós – e norte-americano também o são mexicanos e canadenses...). Na verdade, mais do que polêmica, eles adoram teorias da conspiração.

Agora, como o último deles, o 11 de setembro, parece estar "perdendo a validade" como teoria da conspiração, eles estão ávidos por uma novinha em folha. E não é que veio? Sim, falo da morte de Osama pela turma do Obama (não confunda, dona Raimunda, como diria o Velho Guerreiro). Afinal, mataram o próprio? Ele se escondeu atrás de uma das esposas? Ele estava desarmado? Ele foi mesmo jogado ao mar? Teria sobrado algum pedacinho dele para fazer o teste de DNA? São muitas as perguntas – e a presidência dos EUA não faz muita questão de responder: melhor deixar o mito seguir.

Sim, teremos em breve muitos filmes, telefilmes, livros, sites, material apócrifo e tudo o que puder render ibope e alguma grana para quem souber aproveitar. Teremos Oliver Stone fazendo mais um de seus filmes-conspiração (quem será o vilão nesse caso?). Osama estará mais vivi do que nunca até o próximo fato-candidato a conspiração? Quando ele vai acontecer? Falando em tradição, os ingleses já abriram o tema nas casas de apostas londrinas.

P.S.: por que aqui não temos teorias da conspiração como eles? Simples: aqui, tudo se resume àquilo que as coisas são mesmo. Corrupção é corrupção, safadeza é safadeza, assassinato é assassinato, roubo é roubo – sem essa de ficar dourando a pílula como eles fazem. Ao menos nisso conseguimos ser bem mais diretos do que os pragmáticos estadunidenses, não?



Escrito por jorge.tarquini às 19h06
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Escrotidão sem fim

Precisa explicar o que significa Renan Calheiros se instalar na Comissão de Ética do Senado? Se precisar, podemos pedir uma aula-explicação para Tiririca, que está na Comissão de Educação da Câmara. Mas acho que precisa, sim, pois se você é um brasileiro médio deve ser um analfabeto funcional (lê, mas não entende...). Tudo ao avesso, não? Digamos que vivemos em um lugar único, onde a banana come o macaco (como diz uma grande amiga) ou onde o rabo abana o cão. Antes que você se surpreenda, estão em busca de um novo Hitler para ser o ministro da igualdade racial brasileira.

Desculpe o título, caro leitor, mas não deu para segurar...



Escrito por jorge.tarquini às 21h34
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Tirem o gravador, o microfone e tudo mais desses caras

O senador Roberto Requião, num típico ato coronelista, do mais puro "faço mesmo e daí", não gostou da pergunta de um repórter (aliás, meu ex-aluno, Victor Boyadjian) e tomou-lhe o gravador, apagando tudo o que nele estava antes de devolvê-lo ao verdadeiro dono. Num primeiro momento, achei o fim da picada.

Porém, de cabeça mais fria, vi que talvez residisse aí um gesto redentor, que poderia ser salutar a todos os brasileiros: cada vez que a gente não gostar do que dizem funcionários públicos que ocupam presidência, minstério, prefeitura, governo estadual (ou não aprovarmos o que dizem parlamentares que nos representam, como senadores, deputados federais ou estaduais e vereadores), façamos à moda do requeijão: passe a mão no microfone e corte o direito desses parasitas se pronunciarem. Garanto que, assim, quando eles não puderem mais encher nossos ouvidos como se penicos fossem, talvez bons repórteres não tenham que fazer perguntas que "irritem" ou "desagradem" as "otoridades" deste país.

Ah, claro, na hora de devolver o microfone para as "excelências", possamos fazê-lo por onde saem suas excrecências. Estou falando da boca deles, seu pervertido...



Escrito por jorge.tarquini às 18h13
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O problema sou eu, meu amor

São Paulo. Domingo, por volta das 21h00. Metrô (entre as estações Liberdade e Paraíso). Uma moça, aos prantos, ouve exatamente a frase do título de seu até então namorado. Com certeza, o infeliz passou o domingo todo ganhando atebção, beijinhos (e sabe-se lá mais o quê) até ter a "coragem" (eu diria covardia, sem aspas) de chutar a garota com a frase mais batida do universo dos canalhas sem uma desculpa melhor. Como assim "o problema sou eu, meu amor"???? Quanto mais a garota chorava, mais o energúmeno repetia a frase-feita, o clichê, o lugar-comum.

No fundo, o beócio tem razão: o problema é ele. Um estultício que, na falta de hombridade e de sinceridade, acaba fazendo a última coisa que desejaria: uma confissão. Ele saltou no Paraíso. Ela seguiu só. Saltei na Ana Rosa, com uma vontade incrível de dar os parabéns a ela. Pena que, naquele momento, ela não me entenderia.  



Escrito por jorge.tarquini às 17h30
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Não tenho nada a ver com isso...

O jornal Folha de S.Paulo, desde março, vem publicando na seção "Erramos" tanto as correções quanto o nome do repórter responsável pelo tropeço. À primeira vista, me veio à mente a questão da responsabilidade compartilhada, que envolve editores, demais membros da equipe e, claro, a própria direção do veículo, para pensar em quão injusta e moralmente questionável seria essa postura. Vários profissionais da casa estão se queixando desse "assédio" e dessa "exposição" – e me coloquei no lugar deles para pensar no caso. "Isso não deveria acontecer", pensei de saída. Porém, achei que seria saudável olhar a questão por outros ângulos, antes de me apressar numa opinião. 

Claro que, se essa decisão tem como objetivo constranger ou expor profissionais, sou contra. Porém, se for feito de modo a garantir transparência para o leitor, me parece uma etapa de amadurecimento no processo da informação e da relação veículo-leitor. Hoje, ainda não dá para saber qual o objetivo do jornal com essa postura. Mas há alguns indícios: se eu posso saber (como leitor) que um jornalista cometeu um engano, por que, quando não há o nome do jornalista responsável, o engano é creditado ao jornal de forma impessoal? Não há ninguém acima do repórter? Os enganos ou erros aconteceram por obra do acaso ou por interferência divina? Na minha opinião, seria o caso, então, de creditar o engano aos editores, aos revisores, aos secretários de redação, não? Se exponho um jornalista mas preservo outras instâncas da instituição, ao generalizar que "a Folha" errou, fica o cheirinho de perseguição ou punição – e uma baita incoerênca de posição. 

Por isso, se for para trabalhar com transparência de verdade, 100%, acho que faz sentido – mas falta, então deixar claro o critério para todo mundo: leitores e jornalistas da casa. Sem dramas, mesmo. Afinal, que jornalista não gosta de receber o crédito por uma matéria premiada ou elogiada? Se, como qualquer ser mortal, cometemos enganos (salvo engano das ocasiões em que a má-fé se pronuncia...), não há justificativa para que nos escondamos sob o manto da impessoalidade do veículo. Isso se chama transparência, maturidade, repsonsabilidade. Agora, amigos da Folha, se for para ser transparente de verdade, acho que precisa dar mais uma volta no parafuso dessa decisão e deixar claros os critérios. Se não for essa a razão (seja ela qual for, por mais obscura que seja), vocês estão no caminho certo ao criar seus bodes expiatórios.



Escrito por jorge.tarquini às 17h03
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Vergonha de ser jornalista

Isso mesmo que você está lendo: VERGONHA DE SER JORNALISTA. Ao menos, vergonha de ser algo que possa ser minimamente comparado ao que vi ontem em diversos canais de TV, sites e programas de rádio. Será que o fato em si do massacre das crianças na escola precisava de tintas ainda mais carregadas para ser notícia? Era mesmo necessário expor crianças a entrevistas que, longe de esclarecer algo, primaram pelo simples sensacionalismo e exposição desnecessária? Reproduzir assim, no instantâneo, algumas horas depois do ocorrido, as imagens internas da escola? Quem precisava delas ontem? Não as mães, pais, irmãos, amigos dos que morreram.

Nessa sede de ganhar uns pontinhos de audiência, transformam o horror em coisa de circo, em algo descartável e que, explorado e exposto como a vida de desesperadas celebridades (que mostram até parto de filho para aparecer), se junta ao que de menos jornalístico pode haver. Seria isso jornalismo? NÃO. Pensando bem, já que essa carniça toda não é jornalismo (nem do bom e nem do ruim, acredite), acho que posso ter orgulho de ser jornalista. Em nome de todos os JORNALISTAS que sei que existem por aí, peço nossas mais sinceras desculpas.



Escrito por jorge.tarquini às 18h09
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Bala de troco

Achei uma nova utilidade para o jingle grudento dos mariachis do Visa (sim, aquela misuquinha do "bala de troco, que cosa triste"): serve para a gente cantar para quando, depois de uma gentileza, receber... bala de troco.

A musa inspiradora dessa conclusão foi uma aluna da Metodista, que nem conheço, mas que estava lendo seu livro em uma mesa próxima à qual onde estava jantando com colegas da universidade. Vi quando o lápis da moça caiu. Pensei: "ela não percebeu". Como ia me levantar de qualquer maneira, pois ia comprar uma garrafa de água, fiz um pequeno desvio até ela.

"Com licença. Caiu seu lápis", disse enquanto me abaixava para apanhar o dito cujo. "Eu já tinha visto", foi a resposta cortante. Ou seja: fuzilado por "bala de troco". Que cosa triste...



Escrito por jorge.tarquini às 18h48
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Ser o que não existe, o que não é e que ninguém vê

Terça-feira, 10h00. Avenida Ruben Berta, sentido centro. Um caudaloso rio de carros está quase estacionado no asfalto, se movendo de vez em quando muito lentamente, como o Tietê, que de tão sujo nem parece líquido, onde as águas não correm, apenas se arrastam. Em cada um daqueles carros, uma pessoa (no máximo duas, motorista e passageiro, se for um táxi vindo de Congonhas). Apesar de ter o tempo necessário para observar, ninguém presta atenção ao que acontece ali, no jardim que ladeia a pista. Se fosse um acidente, certamente atrairia os olhares. Mas não era assim algo tão espetacular ou digno de nota. Aliás, não foi digno nem de ser notado, por mais que pudesse, no mínimo, ser inusitado. Havia ali um homem, fazendo aquilo que homens e outros animais fazem quando seus intestinos funcionam.

Sim, ali, à vista de todos, em plena luz do dia, em plena Ruben Berta. Não estava escondido, não parecia se preocupar, devolvendo a indiferença dos que passavam em seus carros. Mas sua indiferença era de natureza diversa da dos motoristas: apesar de ele ver os carros, fez a única escolha que lhe é permitida, a de ignorar. Já os motoristas o ignoravam por razões diversas: "isso não se faz em público", poderiam ter pensado alguns. BÉÉÉÉÉÉ, soa a campainha das respostas erradas. Para aquele homem, caro companheiro motorista, não existe o privado – o que, por consequência, elimina o conceito de público; "esse povo quer mesmo é chocar, expondo suas misérias desse jeito", talvez seja o argumento de outros. BÉÉÉÉÉÉ!!!!! Esse "povo" quer mesmo é poder comer três vezes ao dia, quer mesmo é ter uma cama para se deitar, quer mesmo é não ter de se expor dessa maneira, igualzinho a qualquer um de nós.

Amigo motorista, debaixo de toda aquela sujeira sobre a pele, naquela situação à qual ninguém gostaria de se ver submetido, estava alguém que nem o direito a pensar tem. Afinal, ele é aquele que não existe, ele é o que não é e que ninguém vê – ou prefere não ver. É, "essa gente" que somos nós, confortavelmente instalados no ar condicionado de nossos carros, prefere achar que nem gente "essa gente" é... Ainda bem que estão ali os dejetos e o cheiro dele para de vez em quando nos incomodar e nos lembrar: sim, eles existem.



Escrito por jorge.tarquini às 15h34
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Quem consegue tudo o que quer

Quantas vezes você se vê quase obrigado a fazer algo que não deseja por conta da insistência ou do jeito de outra pessoa? Sim, tem gente que tem o dom (ao menos comigo), de deixá-lo numa verdadeira saia justa, jogando para você obrigações que são dela, constrangendo sem dó nem piedade, a ponto de você fazer o que ela quer -- mesmo que você não queira.

Às vezes, isso acontece comigo: quando vejo, estou praticamente trabalhando para a pessoa, que sem cerimônia, empurrou para você o seu dever. Tem gente que não faz por mal? Tem gente que é assim por natureza? Você é que está implicando com bobagem (afinal, o que custa ajudar)? Ou seria isso um jeito bem calculado de pessoas que não estão nem aí para o mundo (a menos quando esse mundo possa servi-la)?

Bem, caros leitores, essa vocês decidem (viu só: estou tentando passar a vocês a minha obrigação...) 



Escrito por jorge.tarquini às 07h39
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Ah, o cotidiano extaordinário...

No mestrado, estamos estudando há duas aulas um texto sobre o cotidiano. Confesso que, no início, era meio assustador ter de pensar no dia a dia com um olhar teórico, "acadêmico". Hoje, me pego pensando nisso quase o tempo todo, brincando dentro da minha cabeça com conceitos do "ordinário" (no sentido de comum, ok?) e do "humano-genérico" (o extraordinário, grosso modo). Não vou torrar vocês com teorias. Dei essa volta apenas para lembrar de Cartola, que foi citado na aula de ontem, como alguém que, ao ter sobre si as luzes da mídia, deu um "salto" do "ordinário" para o "extraordinário" ao ser descoberto pelo olho midiático -- passando a fazer parte do "humano-genérico". Acho que vou ter de descordar... 

Que meus colegas e meu mestre não me leiam, mas o fato de um diamante não ter sido descoberto não o torna mais ou menos valioso. Cartola sempre foi um "pré-sal" valioso da poesia e da música em sua comunidade -- independentemente de a "indústria cultural" querer méritos por sua descoberta. Ou o Brasil não existia antes de os portugueses nos descobrirem? Esta terra, assim como os índios "ordinários" em sua cotidianidade, eram sensacionais assim como Cartola antes mesmo de serem "descobertos". Viva o que há de extraordinário no cotidiano!



Escrito por jorge.tarquini às 18h25
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Perdi meu pen drive...

Passei a madrugada e o dia de hoje em um misto de "quem sou eu, onde estou?" e "que idiota que sou..." Tudo porque perdi um pen drive, pela primeira vez na minha vida. Nunca imaginei que fosse ser tão estranho: um sentimento de devastação, de desproteção, de insegurança por causa de um pequeno objeto. Claro que já perdi um sem-número de coisas, seja por desleixo, seja por um mistério insondável. O do pen é dessa segunda categoria. Me lembro perfeitamente a última vez que o vi sobre minha mesa. Claro que coisas não desaparecem no ar: em algum lugar há de estar. Que não seja aqui em casa, que seja em algum outro lugar. Quem sabe até volte a achá-lo.

O que foi mais estranho foi empreender, em plena madrugada, uma caçada em casa, revirando sofás, olhando mil vezes dentro da mochila de trabalho, botando tudo de pernas para o ar – e depois enlouquecer todos com quem você convive, com a pergunta: "você viu meu pen drive?". Liguei para o setor de achados e perdidos de todos os lugares por onde passei nesses dias – mesmo que não tivesse razão alguma para eu ter estado nesses lugares munido de um pen drive...

Não havia nada de valioso (e nem de secreto) nele – 99,9% dos arquivos que estavam armazenados ali estão também copiados no meu Mac e no meu laptop de alguma maneira. Vai dar trabalho, só isso. Mas estou mesmo é tentando entender esse sentimento tão esquisito. Passei para o time dos perdidos sem pen drive... É quase uma virgindade.



Escrito por jorge.tarquini às 17h35
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Paulistanos nunca saem – só entram

Raquel, uma amiga de longa data, resolveu ir de metrô a um concerto noturno na Sala São Paulo. Desceu na Estação da Luz do metrô e, achando um exagero tomar um táxi para percorrer as poucas quadras que separam os dois lugares, resolveu ir a pé. Uma caminhada simples, de uns 300 ou 400 metros – coisa corriqueira em qualquer cidade do mundo. Não aqui em São Paulo. Nada aconteceu a ela, além de um pavor – justificado. "Nunca mais farei isso", disse. Isso me lebrou por que nós, paulistanos, nunca "saímos", apenas "entramos". Explico...

Saímos de casa, entramos no carro, saímos do carro, entramos no shopping, saímos do shopping, entramos novamente no carro, para sair e imediatamente entrarmos no restaurante – e por aí vai. "Ah, mas São Paulo não é como o Rio, por exemplo, onde há lugar para onde sair", diriam os que criticam a urbanidade extremada da cidade. Será? Uma caminhada entre dois belos cartões postais, a Estação da Luz e a Sala São Paulo, ladeando o primeiro jardim público da cidade, o atual Parque da Luz, onde fica a Pinacoteca, seria uma atividade pouco aprazível? Discordo.

O problema é que a cidade de São Paulo não mais nos pertence, só isso. Não saímos não por sermos seres reclusos, vampiros com medo da luz do sol ou avessos a caminhadas. Somos, na verdade, reféns. E nossa natureza foi se moldando a essa condição, quando deixamos de sair para ficar apenas entrando – e, nessas, entramos bem e abrimos mão de nosso espaço de cidadania, hoje restrito aos shopping centers, aos restaurantes e outros lugares nos quais apenas entramos. Está na hora de revertermos esse padrão e retomarmos as ruas como espaço da cidadania. Sem medos – sejam eles reais ou imaginários.



Escrito por jorge.tarquini às 16h47
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Você sabe que o sujeito é um bosta quando...

... cansado de ser um bosta no emprego, na família, entre os amigos, enfim, no mundo, ele resolve negar tal condição a bordo de seu carro: ele corta, acelera quando vê um pedestre, é o campeão de semáforo: fica em "primeiro lugar" em todos eles.

... ele tem a oportunidade de mostrar que não o é e, mesmo assim, faz questão de confirmar sua triste condição.

... prefere jogar seu lixo na rua ao jogá-lo na lixeira – ainda mais se tiver de carregar por alguns metros o seu lixo até a lixeira. Limpeza, definitivamente, não é para os bostas.

... fala grosso apenas com quem não pode se defender – enquanto fala fino se encontra alguém mais bosta que ele ou que tenha um pouco mais de "puder"

... ao menor sinal de poder adquirido, faz questão de revelar seu caráter. Afinal, sabe-se que poder (desde o mais ínfimo ao mais supremo) não muda o caráter de ninguém: apenas o revela.

... em vez de mostrar qualquer tipo de solidariedade, ri da desgraça alheia – isso depois de ter torcido muito por ela.

 



Escrito por jorge.tarquini às 19h45
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